A Independência do Brasil foi, em larguíssima medida, obra de padres. Quem demonstrou isso foi o primeiro arcebispo de São Paulo, no centenário de 1822, contando um a um os sacerdotes presos, supliciados e eleitos.
Mas o livro saiu de circulação e passou um século esquecido no próprio país. Pois bem, decidimos republicá-lo, com um estudo introdutório inédito sobre o autor.
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A Independência que não se conta
A Independência que se ensina tem um príncipe às margens do Ipiranga, tem bacharéis, lojas maçônicas e soldados. Não é um relato falso. Mas é incompleto.
Em 1922, quando o país celebrava cem anos de Independência, a comemoração já vinha com o roteiro pronto: o 7 de setembro fora obra dos liberais. Foi contra essa apropriação que Dom Duarte subiu à tribuna do Centro Dom Vital, no Rio de Janeiro – e não respondeu com retórica, respondeu com listas, atas, relações de presos e nomes. Nomes até dos que ninguém esperava.
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livro
O Clero e a Independência do Brasil
Autor: Dom Duarte Leopoldo e Silva
Capa dura
180 páginas
As conferências que o primeiro arcebispo de São Paulo pronunciou no Centro Dom Vital, no Rio de Janeiro, durante o centenário da Independência, reunidas em livro em 1923 — com imprimatur assinado no Rio em 23 de julho daquele ano. A obra se divide em duas partes. A primeira percorre os pródromos da Independência: a revolta do Maranhão, a Guerra dos Mascates, a Guerra dos Emboabas, a Inconfidência Mineira e a Revolução de Pernambuco, mostrando em cada uma, com nome e fonte, a presença do clero. A segunda trata da Independência propriamente dita e do que se fez do clero nacional depois dela. Não é uma apologia: sobre Frei Caneca, cooptado pela maçonaria, Dom Duarte escreve que “a maçonaria exaltou-lhe o patriotismo, desvirtuando-lhe a missão sacerdotal”. Esta edição traz ainda um estudo introdutório inédito sobre a vida e a obra do autor, escrito para a edição brasileira.
Sobre o autor
A Independência é o momento em que o Brasil se define, e a versão que nos foi ensinada tirou dela justamente a parte católica. Não por acaso: quem escreveu a história oficial do centenário tinha interesse em aparecer como o único autor da obra. Dom Duarte foi contra essa apropriação no ano exato em que ela se consolidava, e o fez com o que ninguém podia contestar — listas, atas, relações de presos e nomes.
E este não é um livro de propaganda. Reconhece que boa parte do clero foi capturada pela maçonaria, e sustenta a tese mesmo assim — o que é precisamente o que torna a tese confiável. A frase que fecha o livro é a que melhor o resume: “Brasileiro porque era padre, a um e a outro as bênçãos da Pátria.”
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